"Já quase tenho vergonha de estar sempre a falar nisto na Assembleia Municipal", assim respondeu Aurélio Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Seixas, a um reparo feito pelo delegado Fernando Catarina (PSD) no decorrer da última Assembleia de Freguesia (AF), quando este exclamou que "cada vez que lá (Marginal) passo fico triste", acabando por pedir ao Executivo local que "ao menos, corte-se a relva".
O delegado "laranja" responsabilizou a Junta pela "falta de iniciativa" na resolução deste problema, crítica devolvida pelo presidente Aurélio Pereira à presidente da Câmara, pela sua "teimosia" em pretender agora uma intervenção de maior envergadura, ao passo que "nós sugerimos soluções pontuais".
O autarca socialista acrescentou que em 2010 a Câmara deixou de atribuir os 2.500€ concedidos no ano anterior exclusivamente destinados à limpeza e manutenção deste espaço ribeirinho, entre os cais de S. Sebastião e S. Bento.
Pescadores pagaram mais cedo
Recordou que a Câmara retira dividendos com o aluguer das 46 barracas destinados ao depósito dos apetrechos de pesca (cada pescador paga 75€ ao ano, mais 25 euros à Capitania, e em 2011 foram intimados pelo município a proceder à liquidação logo em Fevereiro, quando habitualmente lhes vinha sendo pedido o pagamento no final do ano, apesar do protocolo existente estipular que seria no princípio. Mas também os balneários e água quente prometidos nunca foram concretizados. Os pescadores reparam que a Câmara não aplica estes dinheiros no local).
Mecos resultam
A Junta referiu, no entanto que tem procedido a pequenas limpezas e intervenções a despeito das competências serem do Executivo camarário, recordando que os mecos colocados de modo a evitar que os carros danifiquem a relva tinham resultado, levando-a a pedir à Câmara que siga o seu exemplo.
Recordou que um pedido de audiência a Júlia Paula destinado a debater o futuro desta marginal, nunca viria a ser agendado.
João Fernando Catarino, secretário da Junta, frisou que os 2.500€ dados pela Câmara nem sequer pagavam as avarias nas máquinas, devido à dificuldade em cortar a erva aí plantada, lamentando ainda que os passeios se encontrem totalmente degradados "há mais de um ano".
O tema levou Paula Aldeia, presidente da Mesa da AF, a sugerir à delegada Carla Malheiro (eleita pelo PSD e simultaneamente deputada municipal por este partido), que se junte aos clamores do presidente da Junta no orgão autárquico municipal, de modo a sensibilizar Júlia Paula para que aceda a agendar uma reunião.
A falta de dinheiro com que a Câmara se debate, "como se diz", citou Rui Vivo (PS) levou os delegados do PS a duvidarem da exequibilidade de um projecto de maior envergadura, cuja presidente agora reclama para a Marginal.
Mais de dez anos depois de uma obra que desde o início suscitou polémica, pedem-se soluções.
Carla Malheiro interveio na AM
A delegada Carla Malheiro acabou por aceitar o repto de intervir na Assembleia Municipal que se realizou no dia seguinte ao da AF de Seixas, embora tivesse ressalvado que não o fizera antes porque entendia que esse protagonismo deveria estar a cargo do presidente da Junta - a quem não queria substituir-se, anotou -, reconhecendo, contudo, que o autarca socialista já erguera a sua voz por diversas vezes nesse orgão autárquico.
Carla Malheiro questionou o Executivo camarário sobre a "melhor solução" para a Marginal e manifestou a solidariedade para com a Junta de Freguesia para tudo o que necessitar, depois de perguntar sobre o agendamento da reunião prometida pela presidente da Câmara.
Narciso Correia e Júlia Paula em uníssono
Antes de que a presidente respondesse, o deputado municipal Narciso Correia antecipou-se, dizendo no seu estilo inconfundível que o projecto inicial (do tempo do presidente Valdemar Patrício) "não tem pés nem cabeça".
Precisou que deveria ser feita uma opção entre uma zona de lazer e diversão ou de pesca.
Assinalou que o local sempre foi utilizado pelos pescadores, sugerindo um diálogo com eles, na tentativa de concretizar um projecto novo, apoiando a ideia de criação de uma casa-museu do pescador no antigo posto da Marinha, ideia já discutida em AF de Seixas e com a qual todos estão de acordo, podendo ainda servir como sede da Associação de Pescadores. No entanto, esta eventualidade dependerá do posicionamento da Marinha sobre a cedência do imóvel.
Seguindo as palavras do social-democrata Narciso Correia, Júlia Paula defendeu igualmente um novo projecto (a obra inicial custou 1,5 milhões de euros), rejeitou um projecto "minimalista" e que se deveria "optar" pelo uso a dar a esse espaço junto ao rio Minho.
Presidente da CMC vai agora reunir com todos
A autarca social-democrata alertou para um eventual conflito com o autor do projecto inicial, levando-a a anunciar que pretendia agora reunir "conjuntamente" com ele, presidente da Junta, pescadores, Capitania e CCDRN.
Intervindo também na discussão, Aurélio Pereira recordou que o sistema de rega já existia há oito anos e haver uma delimitação entre os espaços dos pescadores e de lazer, bastando que coloquem mais marcos, cuja existência já comprovara que era uma boa solução.
Esta intervenção originou uma réplica violenta de Narciso Correia, com a qual se pôs fim à discussão de um assunto que se vem protelando há dez anos.