A Câmara quer promover a agricultura e vai proporcionar terreno para quem quiser cultivar. O projecto designa-se por Hortas da Barrosa e as culturas vão ser feitas no espaço da Quinta com o mesmo nome, em Vila Praia de Âncora, nas imediações do cemitério megalítico. Já não se fala do parque de lazer que a mesma Câmara chegou a promover, mas que parece agora abandonado.
A primeira fase do projecto, aprovado pelo Executivo na última reunião presidida por Flamiano Martins, prevê a utilização de uma parte do terreno previsto, "com a disponibilização de 20 parcelas, com 66 m2 cada".
No documento aprovado, diz-se que "esta proposta de ocupação não inviabiliza qualquer futura intervenção que venha ocorrer na propriedade, decorrente dos compromissos assumidos e/ou a assumir pela Câmara Municipal de Caminha".
O que Júlia Paula pensava
A afirmação, porém, nada concretiza e na reunião também nada foi adiantado, mas está em causa uma ideia com vários anos. Em 2007, Júlia Paula, em entrevista a um blogue dizia: "estamos a pensar na criação de um parque, as ideias ainda estão a ser desenvolvidas, mas a Quinta é um dos lugares que estão nos nossos planos".
Um ano depois, no mesmo espaço, a autarca reiterava: "acreditamos que o Dólmen da Barrosa pode vir a ser o centro do novo parque municipal do concelho, caracterizado por amplos espaços verdes e infra-estruturas de apoio, dirigidas sobretudo a actividades de recreio a que se podem associar outras infra-estruturas sociais e/ou de outros equipamentos".
E continuava: "O Dólmen, que como sabem é um monumento nacional, poderá bem ser o centro de uma área de recreio que inclua espaços para desportos informais (que não necessitam de aparelhos ou de estruturas específicas), piqueniques, um pequeno bar de apoio, um arruamento pedonal e um parque de estacionamento".
11 interessados
Já há 11 interessados na exploração agrícola de 20 lotes de terreno que a Câmara de Caminha vai disponibilizar a nascente do Dólmen da Barrosa, segundo deu a conhecer Flamiano Martins.
Trata-se de um projecto que "não é exclusivo de Caminha", admitiu o vereador, mas que pretende "ocupar" as pessoas e, dessa forma, obterem alguns produtos agrícolas, podendo ainda constituir um meio de atrair os habitantes para a agricultura, nomeadamente a biológica e que o município pretende incentivar.
Está garantido o abastecimento de água através da captação de um poço e a montagem de um sistema de rega que facilite a tarefa aos agricultores.
Segundo foi adiantado por Flamiano Martins, este projecto deverá ser alargado a outras freguesias do concelho.
A vereação aprovou uma minuta de protocolo a estabelecer com os agricultores.