Jornal Digital Regional
Nº 529: 5/11 Mar 11
(Semanal - Sábados)






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CÂMARA DIZ POUPAR 400%
SERVINDO ÁGUA DA TORNEIRA….. SEM CLORO

Ninguém perguntou, mas Flamiano Martins decidiu dar explicações sobre a alteração de procedimentos nas reuniões do Executivo, onde a água engarrafada deu lugar à da torneira, por sua iniciativa, assegurou.

"É uma pequena gota de água no oceano"

Garante que não tem cloro - embora possa cheirar um pouco a ele, admitiu - e que a poupança é de 400 por cento! Não que seja por isso, mas sempre é um exemplo e "uma questão de princípio", diz o vice-presidente da Câmara da Caminha.

Não deixa de nos vir à memória tempos passados, há pouco mais dois anos, quando se servia caviar e champanhe francês nas arcadas, para quem quisesse servir-se do "buffet e da champanhe" com que a Câmara comemorou a reabertura da Torre do Relógio.

Na passada quarta-feira, pela segunda reunião consecutiva, os vereadores viram as tradicionais garrafas de plástico com água, substituídas por canecas, cheias de água da torneira, embora permanecessem duas garrafas à mistura, em frente de dois dos vereadores do PS (Teresa Guerreiro e António Vasconcelos).

O C@2000 tinha assinalado a mudança, comentando em tom de brincadeira, inofensiva, que "a crise obriga" e fazendo votos: "espera-se que não tenha cloro a mais". Isto porque, na semana anterior, tinha jorrado muita água das bocas-de-incêndio das ruas 31 de Janeiro e Mesquita da Silva, em Vila Praia de Âncora, porque "houve necessidade de purgar a água da rede devido ao excesso de cloro", como os serviços municipais explicaram.

Agora, Flamiano Martins, que voltou a presidir à reunião do Executivo por nova ausência de Júlia Paula, quis, talvez, desanuviar e explicar procedimentos, digamos, originais em reuniões de órgãos - não que alguém se tenha queixado, diga-se também em abono da verdade.

Poupança e exemplo, nos tempos que vão correndo, foram, como referimos atrás, as razões adiantadas pelo responsável. Mas não deixou de ficar no ar uma interrogação, por causa da poupança dos 400 por cento. Já não se fala das contas que terão permitido chegar àquele resultado e que o edil resumiu na ocasião, enfim, mas há outro aspecto que não deixa de ser perturbador. No caso da água engarrafada, se não fosse consumida, continuava inviolável nas garrafas fechadas e podia ser servida noutra qualquer ocasião.

Então e a água das canecas? Caso não seja bebida pelos vereadores, será que Júlia Paula deu ordens para ser reaproveitada e de que forma? É que, de outra forma, lá se vai (parte) da poupança!

De facto, na reunião anterior, a água das canecas aí permaneceu, intocada. Esta semana, só Paulo Pereira se serviu. Será caso para comentar: "Águas paradas, cautela com elas", até porque "a cautela morreu de velha".

Champanhe deu lugar a água

Mas a verdade é que, num passado próximo, era bem diferente. A 29 de Novembro de 2008, Marcos Fernandes, o "speaker" de serviço na cerimónia de reinauguração da Torre do Relógio, não se cansou de repetir: "a seguir, vamos servir um buffet e uma champanhe". Também aí, é bem verdade, surgiram dúvidas, até porque as bebidas costumam fazer parte do "buffet". Percebeu-se depois que a intenção seria (deixando de fora os problemas de concordância frásica) assinalar o Moët & Chandon que acompanhou o caviar, servidos nas arcadas da Câmara, a esmo, para quem quisesse.

Mas tudo muda e, como diz o povo, "águas passadas não movem moinhos"…